Filhinhos da Mamãe

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10 motivos porque vale a pena cozinhar com seu filho

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Atualmente valorizamos muito as atividades sensoriais em brincadeiras para incentivar o desenvolvimento das crianças. Mas a verdade é que muitas vezes nossos dias são tão corridos que não conseguimos parar para brincar.

Mas estive pensando em como incluir as crianças em atividades que fazem parte da nossa rotina pode funcionar como estímulo ao desenvolvimento de várias áreas cerebrais.

Percebi isso quando cozinhava com a ajuda da minha filha, que completou 4 anos há uma semana. Ontem era um dia especial. Fizemos pizza de comemoração.

Enquanto preparava a refeição da nossa família, pizza de mussarela com  tomate e suco de laranja, enxerguei quanto ensinamento estava envolvido naquela tarefa.

Por isso eu, que não tenho nenhuma formação em psicopedagogia, mas conheço neurologia e tenho aquele dom que toda mãe tem: a intuição,  ouso  enumerar os 10  motivos porque vale a pena cozinhar com seu filho:

1 – Trabalho em equipe, reconhecimento de competências e hierarquia

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Ao cozinhar a dois (ou mais), cada um tem sua tarefa. O resultado final depende da ação de todos os envolvidos. Nos admiramos mutuamente pelo que conseguimos fazer. Ela sabe que trabalhamos juntas, mas eu sou a líder da equipe, ela pode dar sugestões, mas a coordenação do processo é minha.

2. Consequência das ações

Se ela não misturasse bem o fermento com a água, ficariam “pelotas” com gosto amargo na massa e atrapalharia o crescimento da pizza.

3. Desenvolvimento da motricidade fina, foco e concentração

Quebrar ovos não é algo tão banal

Parece algo muito simples: quebrar ovos. Basta quebrar. Mas ontem fiquei observando a concentração dela para quebrar o ovo para a pizza: precisa ter firmeza para quebrar a casca fina contra uma superfície dura, mas precisa ser de forma delicada o suficiente para não espatifar o coitado. Aí precisa concentrar a força em ambos os polegares, que são enfiados sobre a rachadura e em um movimento coordenado e sincrônico afastam as paredes da casca do ovo e delicadamente abrem o ovo e jogam o conteúdo bem no meio do recipiente, sem nenhum pedaço de casca. Ela vem evoluindo muito nessa técnica e fica orgulhosa de já ter praticamente dominado todos os passos. Raramente erra. Mas quando erra, precisa fazer movimentos delicados de pinça com os dedinhos e retirar os pedacinhos de casca que caíram no meio daquela substância escorregadia, que é a clara do ovo.

4. Atenção e Capacidade de compreender comandos

Ela sabe: não pode colocar a farinha de trigo até que eu dê ordem para isso. Parece algo simples, mas isso é essencial para o desenvolvimento tanto intelectual quanto comportamental.

5. Desenvolvimento psicomotor

10 motivos para cozinhar com seu filho

Treinando desde cedo

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A realização de movimentos complexos, onde vários componentes são integrados, por exemplo, fazer movimentos circulares com o batedor de claras (fouet) requer conexões cerebrais e atividades de relaxamento e contração de muitos músculos. Minha pequena é destra, sempre digo pra ela tentar fazer também esses movimentos com a mão esquerda. A gente sempre ri de como a mão esquerda é mais estabanada do que a direita. Digo pra ela: essa aqui precisa treinar mais (eu percebi, e sofri, com isso quando fui residente em otorrinolaringologia, onde as cirurgias exigem  habilidade ambidestra).

6. Noções de matemática

As mães parecem ter uma tendência natural que as impele a comparar seus filhos com os filhos de outras mães. De modo geral, os seus são sempre melhores. Sempre ouço coisas como: meu filho sabe contar até 100. A minha tem quatro anos e não sabe. Mas isso tem mesmo importância? Tenho quase certeza que se treinasse ela seria capaz de decorar a sequência de palavras de 1 a cem, mas isso não quer dizer que ela saberia contar. Bom, voltando naquilo de achar o filho o tal (rs), ontem percebi que a minha já é capaz de entender que um ovo + um ovo = dois ovos. Na nossa pizza usamos isso: dois ovos. Ela também entende que a colher de sal precisa ser a pequena, e não precisa estar tão cheia (aliás, ela já sabe o porquê disso: cuidado com o sódio!); também sabe o que é metade. Nossa pizza leva duas xícaras e meia de farinha de trigo. Nossa delícia retangular foi dividida em 8 quadrados idênticos, dois para cada um da casa (e ela fez questão de comer os dois que tinha direito).

7. Ordem e sequência

Cada coisa tem sua hora. Você não pode querer colocar o óleo depois de colocar a farinha. Primeiro precisamos dissolver o fermento, misturar os ingredientes úmidos e depois a farinha. Além disso, tem que dar tempo para o fermento crescer. Não adianta querer correr. Tem que saber esperar.

8. Valorização do trabalho

É importante que as pessoas valorizem o esforço. Fazer comida dá trabalho, requer tempo. Tem que lavar a louça. As coisas não ficam prontas por mágica. Alguém teve que dedicar esforço e tempo para que as coisas acontecessem. Cozinhar com seu filho mostra isso claramente.

9. Estimulação sensorial

A massa da pizza, quando é no início é só água, fermento, um pouquinho de farinha,  ovos, sal e azeite. Bem fluida e  fácil de bater. Aí vamos acrescentando farinha de trigo e ela vai ficando cada vez mais espessa e pesada. Aí não tem mais como bater, precisa ser amassada.  Quanto mais as mãos são fortes para amassar, mais macia fica a massa. Aí usamos o rolo para abrir e deixar ela bem fininha. Cobrimos com queijo mussarela que ralei na parte grossa do ralo, ele é bem macio. Tem que espalhar em toda a superfície da massa. Delicadamente posicionamos as fatias de tomate, que cortei bem fininho (enquanto dizia como é rico em betacaroteno, que se transforma em vitamina A e vai deixar a pele dela linda) para ficar bem bonito aos olhos. Aí, para finalizar,  ela precisa esfregar o orégano entre os dedinhos para soltar bem o aroma, e distribuir por toda a pizza. Olha a riqueza de texturas, consistências e aromas dessa atividade.

10. Vontade de comer

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Percebo que quando ajuda a fazer a comida, minha filha tem mais interesse em comer. Fica ainda mais ansiosa para ficar pronto. Prova os ingredientes novos que usamos com mais facilidade. Acho essa uma ótima tática para incentivar seu filho a comer melhor.

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cozinhe com seu filhoE tudo isso por causa de uma pizza. Viajei muito? Viajei mesmo. Como sempre digo, meus filhos me ensinam a ver a complexidade da simplicidade. Já fiz pizza muitas vezes, mas só ontem percebi isso tudo.

Carla Torres

Médica (Universidade Federal Fluminense – 2004) e mãe. Atua nas duas funções em tempo quase integral e é apaixonada pelo que faz.

3 respostas para “10 motivos porque vale a pena cozinhar com seu filho”

  1. […] leu nosso post Dez motivos para cozinhar com seu filho? Você vai se […]

  2. Vivian disse:

    Ouso acrescentar mais : estimula a memória a medida que repetimos a receita. Cultura geral falando sobre ingredientes, agricultura, países, costumes. Noções de higiene e vida saudável. Auto estima melhora a medida que consegue executar tarefas. Estamos investindo na independência das crianças.

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