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Óleo de coco – 7 coisas que você precisa saber

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Quando o assunto é gordura há muitas divergências de opiniões. Mas uma coisa eu acredito: o óleo de coco é sem dúvidas um  alimento funcional dos mais significativos. Contém uma combinação perfeita de ácidos graxos que podem ter muitos efeitos positivos na saúde humana, e isso foi confirmado em estudos.

1 – A temida gordura saturada

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Um monte de gente fala mal do óleo de coco porque contém gorduras saturadas. Verdade! Quase 90% da gordura do óleo de coco é saturada. Mas estudos recentes (com centenas de milhares de pessoas) mostram que a relação direta entre consumo de gordura saturada e obstrução arterial (e consequentemente infartos e derrames, por exemplo) é errônea. Além do mais, a quantidade dessa gordura é a média do que a você encontraria em um bife ou queijo.

2 – Existem gordura e gorduras

A gordura do óleo de coco tem uma característica única: é composta predominantemente por triglicerídeos de cadeia média. Qual a importância disso? A maioria dos ácidos graxos de nossa dieta é de cadeia longa. Os de cadeia média tem um metabolismo completamente diferente. Os triglicerídeos de cadeia média não se acumulam no tecido adiposo. Após absorvidos vão direto para o fígado, onde são usados como fonte de energia rápida ou convertidos em corpos cetônicos, que podem ter benefícios em diversas alterações cerebrais. A dieta cetogênica (carboidrato muito baixo e gordura muito alta) vem sendo estudada em várias condições clínicas, a melhor aplicação terapêutica é no tratamento de epilepsia resistente a drogas em crianças. Por alguma razão, esta dieta reduz dramaticamente as crises convulsivas em crianças epilépticas, mesmo naquelas em sucesso com uso de vários tipos de medicamentos. Evidentemente isso requer acompanhamentos médico e nutricional individualizados.

Os triglicerídeos de cadeia média do óleo de coco aumentam a concentração de corpos cetônicos, que podem ajudar a reduzir o número de convulsões em crianças epilépticas.

3 – Óleo de coco é só moda…

oleo-cocoÉ verdade que de tempos em tempos as pessoas tendem a glorificar  alguns produtos (e abominar outros) como se fosse a solução para todos os problemas de saúde, se esquecendo que somos organismos imensamente complexos em que ações pontuais não se traduzem em mudanças benéficas de modo evidente. Mas o óleo de coco não é só moda não. Agora ele está na mídia, mas seus benefícios já são bem definidos há muito tempo.

Em várias populações pelo mundo, múltiplas gerações  vem ingerindo coco em grandes quantidades e algumas dessas populações estão entre as mais saudáveis do planeta. O melhor exemplo está no Pacífico Sul, os Tokelauans, que são uns dos maiores consumidores de gordura saturada do mundo. 60% das calorias desta população vem da ingestão de coco. Nessa população quase não há evidências de doenças cardíacas.

 4 -A gordura que ajuda a emagrecer. Pode isso?

A obesidade não é decorrente apenas de um problema de calorias, mas também a origem dessas calorias tem papel crítico. As comidas afetam nosso metabolismo de diferentes modos. Os triglicerídeos de cadeia média presentes no óleo de coco podem aumentar o gasto calórico do organismo quando comparados à mesma quantidade de calorias decorrentes de gorduras de cadeia longa. Um estudo mostrou que o consumo de 15-30 gramas/dia dessas gorduras de cadeia média podem aumentar o gasto calórico de 24h em 5% . E o melhor é que parece ter ação ao reduzir aquela gordura mais perigosa e difícil de perder, a gordura abdominal (visceral).

5 – Sabedoria Divina

Quase 50% dos ácidos graxos do óleo de coco é de ácido láurico, que tem ações para matar agentes agressivos, como bactérias fungos e vírus. Por sabedoria Divina, o outro alimento rico em ácido láurico na natureza é o leite materno.

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Coco e leite materno – alimentos ricos em ácido láurico.

6 – Coração e mente fortes

Aquele conceito isolado de que gordura saturada  aumenta o colesterol já não se sustenta. Essa gordura “demonizada” está associada à melhora dos perfis de colesterol, aumentando o HDL (o bom) e modificando o LDL (o ruim) para um sub-tipo benigno. Em um estudo com 40 mulheres a ingestão de óleo de coco reduziu o colesterol LDL e aumentou o HDL quando comparado com o óleo de soja. Além disso, o óleo de coco demonstrou em estudos que é capaz de reduzir os níveis de triglicerídeos e melhorar fatores de coagulação, além de ter efeitos antioxidantes. Além da proteção cardíaca, estudos mostraram que o consumo de triglicerídeos de cadeia média levou ao aumento imediato nas funções cerebrais de pacientes com Alzheimer.

O óleo de coco pode melhorar importantes fatores de risco cardíaco, como colesterol total e suas frações (boa e ruim).

7 – Ainda por cima é embelezador

Além de ser um excelente alimento funcional o óleo de coco tem efeitos cosméticos  para a pele e cabelos. Pode melhorar a hidratação da pele e proteger o cabelo de danos. Também tem ação de protetor solar, bloqueando por volta de 20% da radiação ultravioleta.

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Em um dos episódios do “À prova de tudo”, programa de Bear Grylls, biólogo e ex-combatente especialista em sobrevivência, ele passa a polpa do coco na pele para se proteger da radiação Ultravioleta.

 

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Referências:

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Carla Torres

Médica (Universidade Federal Fluminense – 2004) e mãe. Atua nas duas funções em tempo quase integral e é apaixonada pelo que faz.

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