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A importância da alimentação – da gestação aos 2 anos de vida

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Muitas vezes vejo mães que se preocupam em não oferecer para suas crianças pequenas açúcar, alimentos industrializados, leite de caixinha… serem rotuladas como exageradas. Não podemos evitar que nossos filhos experimentem coisas novas, mas bebês precisam de cuidados especiais, não são adultos em miniatura. A importância da alimentação nos primeiros 1000 dias de vida (ou seja, da gestação até os dois primeiros anos de idade) é essencial para o desenvolvimento da criança e de sua saúde como adulto! E isso não é papo de mãe preocupada demais não. É o que um estudo de vários anos, envolvendo especilistas de 12 paísses, constatou. Veja nosso post que resume as recomendações do projeto Early Nutrition.
 
 
 
Em um projeto financiado pela União Européia,  vários  pesquisadores em todo o mundo têm investigado como a nutrição nas fases precoces da vida (na gestação e primeiros anos) tem influencia na saúde em anos posteriores. Especialistas em 35 institutos em 12 países contribuíram para o projeto EarlyNutrition. Com base nestas descobertas, os cientistas envolvidos formularam recomendações para as mulheres grávidas e seus médicos.
 
O projeto EarlyNutrition,  concebido para investigar o efeito a longo prazo da nutrição precoce sobre a saúde, investiga especialmente o quão cedo a nutrição influencia o risco de níveis elevados de gordura corporal, ganho excessivo de peso e obesidade na idade adulta, que por sua vez promovem  alterações metabólicas (como resistência à insulina, diabetes, doenças cardiovasculares e certos tipos de câncer).
 
 
Destacamos a seguir os pontos mais significativos deste projeto:
 
 
·         Tanto a qualidade da alimentação da mãe durante e antes da gravidez quanto a qualidade dos alimentos que a criança recebe nos primeiros 2 anos de vida tem influência sobre o metabolismo de sua saúde ao longo da vida.
 
·         Em comparação com a alimentação com mamadeira de fórmula convencional, a amamentação reduz em 10-20% o de risco em longo prazo da criança se tornar obesa.  
 
·         O teor de proteína da fórmula convencional para bebês  e dos alimentos complementares fornecidos durante o desmame, tem um forte impacto sobre os resultados de saúde posteriores. A utilização de alternativas com menores quantidades de proteína nesta fase tem um efeito claro e positivo sobre a saúde subsequente da criança. (Você viu nosso post as Difrerenças entre fórmula infantil e leite? Uma delas é que o leite de vaca – seja em pó ou líquido – é muito mais rico em proteína do que as fórmulas infantis)
 
·         O período crítico, que mais exige cuidados na alimentação da criança, são  os primeiros 1000 dias de vida, ou seja, o período de pré-natal e os dois primeiros anos de vida, período em que a criança se desenvolve rapidamente e sua taxa de crescimento é  muito alta. Durante esta fase, o grau de capacidade de se adaptar, criar e desenvolver novas funções é particularmente elevada.  
 
 

Na Gravidez – a pessoa não precisa comer por dois, mas certamente deve pensar por dois!

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·         Se a mãe está acima do peso quando ela fica grávida, o seu filho tem de uma a duas vezes maior risco de ser obeso quando adulto.
·         Outros fatores a que a criança está exposta ainda no útero podem ter um efeito duradouro sobre a modificação dos genes. O tabagismo é um deles, em particular durante o primeiro trimestre da gravidez. As consequências para a criança podem ser observadas bem depois do nascimento, até lá pela idade escolar. Entre eles, o risco duas vezes maior de ser obesa.
·         As mulheres devem fazer todo o possível para obter o seu peso para baixo para próximo do normal para sua estatura antes de ficarem grávidas. Seguir uma dieta equilibrada – isto é, uma rica em vegetais e peixe, suplementada com ácido fólico. As mulheres que preferem não comer peixe também deve completar a sua ingestão de alimentos com o ômega-3 ácidos graxos DHA (ácido docosahexaenóico). Durante a gravidez, a demanda por certos nutrientes críticos sobe muito mais a do que a necessidade por energia. Até o final de sua gravidez, uma mulher precisa gerar apenas 10% mais energia do que antes. Em outras palavras, a pessoa não precisa comer por dois, mas certamente deve pensar por dois.
 
Diferente do que se achava há anos atrás, hoje é claro que a genética não é algo imutável. Nossos genes são modulados a todo momento. O ambiente tem forte influência na seleção de genes que serão ou não ativados, é a tal da epigenética. A alimentação tem fator importante nesta “seleção” de genes. Por isso, a qualidade da alimentação, principalmente na época de formação e maior desenvolvimento da criança,  é tão importante para sua vida futura.
 
Referências:

https://www.en.uni-muenchen.de/news/newsarchiv/2016/koletzko_sp.html

Carla Torres

Médica (Universidade Federal Fluminense – 2004) e mãe. Atua nas duas funções em tempo quase integral e é apaixonada pelo que faz.

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