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Amamentação – Dicas práticas do que fazer e o que não fazer

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Sou grande defensora da amamentação, mas tenho a certeza: “Para amamentar  não basta poder. Tem quer querer. E tem que querer muito!”
Vai amamentar seu bebê? Prepare-se! Você não vai se arrepender.
Durante a gravidez sonhamos com a amamentação… Escutamos muitas dicas, que muitas vezes são divergentes entre si.
Bom, primeiro vamos por partes:

Preparo das mamas durante a gravidez

 NÃO passe hidratante nos mamilos e aréola

  • Essa região NÃO deve ficar macia e hidratada. Você pode passar no restante da mama para tentar evitar a formação de estrias;

    NÃO é recomendável passar bucha/toalha nos mamilos

  • Essa recomendação é antiga e hoje sabe-se que pode estimular contrações uterinas, além de ferir uma região muito delicada e já dolorida (O Brasil está super atrasado na orientação da amamentação, é impressionante… Quase todos os ginecologistas recomendam esfregar o bico com a toalha.)
A coisa da toalha é tão errada que nem citam nos artigos recentes. Só achei num artigo de 1975 (!!!) dizendo que não funciona. Tem um manual do governo do Colorado muito legal, que critica isso.
O manual feito pela Unicef, WHO (World Health Organization) também diz que essas técnicas não funcionam.

Tome sol nas mamas

  • Isso é fundamental. Se não tiver privacidade na sua casa, feche parcialmente uma janela com a cortina, para que apenas um feixe de luz solar passe. Sente-se no chão e deixe aquele feixe atingir exatamente o mamilo. Dez minutos por dia são suficientes. Isso realmente faz a diferença!
  •  Luz amarela de lâmpada não é a mesma coisa que luz solar, e você ainda tem o risco de se queimar se ficar muito próxima dela – mas se esta for a única possibilidade, as enfermeiras da Perinatal recomendam que use uma luz de 40w, a 20 cm de cada mama, por 5 minutos 2 ou 3 vezes ao dia.
  •  Lansinoh não é preventivo, não adianta colocar durante a gravidez.

Após o parto

 Pegada correta

Após o parto, na maternidade, você receberá orientações das enfermeiras do hospital. Bom, comigo pelo menos não impediu que eu tivesse fissuras hiper dolorosas já na maternidade. Por isso, estude bastante esse tema antes do parto.
Veja esse site que tem dois vídeos muito bons mostrando a pegada correta.
Nesse vídeo mostra um detalhe muito legal que eu só aprendi um mês depois do nascimento da minha filha: quando colocar a boquinha do bebê no peito, coloque o lábio superior quase em cima do mamilo. Parece que vai prender o mamilo, mas não vai, na verdade ele naturalmente escorregará para a posição correta já dentro da boca do bebê. Para conseguir isso eu “puxava” um pouco a pele logo acima do mamilo.
Outra coisa importante é que os lábios do bebê devem estar para fora. E o bebê deve estar voltado para a mãe, “barriga com barriga”.
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Pega correta. Os lábios do bebê precisam estar evertidos.
Boquinha de peixinho
Dica de mãe para mãe: quando colocar a boquinha do bebê no peito, coloque o lábio superior quase em cima do mamilo. Os lábios do bebê devem estar para fora. E o bebê deve estar voltado para a mãe, “barriga com barriga”.

Posição correta para amamentar

Eu fui aprendendo a amamentar posicionando minha filha na vertical, em vez de na horizontal. Li que as índias amamentam assim, e isso melhora o fluxo de leite no trato digestivo, reduzindo refluxo, e permite que o gás ingerido fique em cima no estômago, em vez de ir junto com o leite para o intestino e causar cólicas.  Isso facilita a eliminação do gás no arroto.
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Amamentar posicionando o bebê na vertical, em vez de na horizontal. 
Melhora o fluxo de leite, reduzindo refluxo
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Postura correta ao amamentar evita problemas para o bebê;
Uma boa almofada de amamentação é importante. Eu usei uma no começo que era péssima. Uma amiga me indicou uma doula que vende outra maravilhosa (Stephanie, que atende em Copacabana –  tel (21) 98111-5848 e (21) 2541-4754). Recomendo muito!
Amamente prestando atenção no seu bebê, tente não conversar, falar no celular, assistir TV… Pelo menos no começo.

Medos, mitos, dúvidas, experiência pessoal,  o que é comum …

  • Sobre o leite, sabemos que no começo ele se chama colostro, que é riquíssimo em proteínas e anticorpos, embora pareça translúcido e ralinho. É em pouca quantidade mesmo, mas é o suficiente para esse momento, já que o bebê nasce com uma reserva de energia para os primeiros dias. Nesse momento ajuda se você fizer uma massagem, começando na periferia na mama e indo em direção ao mamilo. No começo o bebê tem a boquinha muito pequena e pode não ter força para mamar de forma tão eficiente, por isso a massagem ajuda.
  •  Em 4 dias ocorre a apojadura, que é a “descida do leite”. Dói mesmo, se formam nódulos de leite, e o que ajuda é amamentar seu filhote. Massagens para dissolver esses nódulos também ajudam (o leite dentro do peito é um gel).
  • Depois de uma semana, o leite começa a mudar,  mas o leite maduro só surgirá na quarta semana. Nessas primeiras semanas, a produção do leite ainda não é estável e pode ser afetada pelo cansaço, se você não beber muita água e se não comer bem. Lembre-se que produzir leite gasta muita energia (em média 700 calorias por dia). Não é o momento de fazer dieta, mas deve-se comer frutas, legumes, cereais, e não doces, sorvete, etc. Sem desculpas para abusos hein…
  • Após umas seis semanas, a produção de leite torna-se mais estável e a gente sofre menos com a “falta de leite”.
  • Dizem que alguns alimentos passam para o leite e causam cólicas no bebê. Os mais famosos são: chocolate, castanhas, leite de vaca, feijão, repolho, brócolis, alho e laranja. Outros são controversos. Mas sinceramente… Evite os mais comuns e não se estresse tanto com isso. A cólica parece ser causada pela imaturidade do intestino do bebê, independente do que você coma. Claro que não vai exagerar, mas não precisa ter neuras. E se alguma “urubulina” (palavra do meu obstetra, adoro!) encher a paciência te recriminando pelo que estiver comendo, diga: Uma mãe feliz é um bebê feliz!
  • Se você sofrer alguma fissura, pegue sol imediatamente!!! O poder cicatrizante da radiação solar é incrível. Pra mim o Lansinoh não ajudou em nada nesse quesito. Mas uma vez que peguei sol por 10 minutos fez milagre. Tente não usar a luz da lâmpada, é difícil dosar a quantidade certa. Eu usei e sabe o que aconteceu? QUEIMOU a pele exposta na fissura… Terrível. O Lansinoh ajuda quando você estiver com os mamilos ardidos, sensíveis. Aplique logo após a mamada e não coloque roupa por cima, senão o tecido arrasta no mamilo e incomoooooda!!! Não esqueça que se tiver fissura, NÃO deixe de amamentar, senão o leite acumula no peito e é muito pior.  Se doer demais, é preciso ordenhar o leite, da forma que você conseguir, seja manual ou com bomba. Nesse momento tão doloroso o que mais me ajudou foi uma frase da minha irmã: “Força na peruca!!!”. Em dois dias você estará muito melhor. E vai ver como é delicioso amamentar… A melhor sensação do mundo… Ah, e filme esses momentos, você vai AMAR rever a carinha de delírio do seu bebê mamando.
  • Sobre os protetores de silicone para os mamilos, eu usei e não gostei. Mas tem gente que gosta… É muito individual. As conchas são interessantes se você tiver que sair, para colocar a roupa e não arrastar no mamilo dolorido. Mas elas deixam os mamilos úmidos, não usei muito. O melhor é usar os absorventes. Esses são essenciais para os peitos vazantes de leite.
Referências:
  • Orientação da Fiocruz
  • Esse artigo compara técnicas de prevenção, sem resultado: Prevention of and therapies for nipple pain: a systematic review. Morland-Schultz K, Hill PD. Journal of Obstet Gynecol Neonatal Nurs 2005.
  • Tem um artigo que compara mulheres que preparam o bico e as que não prepararam, e compararam a irritação do mamilo após o parto, e não houve diferença entre elas. (Preparation of the breast for breastfeeding. Brown MS, Hurlock JT,. Nursing Research 1975).
Luciana Novellino
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Uma resposta para “Amamentação – Dicas práticas do que fazer e o que não fazer”

  1. Mariana disse:

    Oi Luciana, gostei muito das dicas, estou esperando meu segundo filho e confesso que mesmo amamentando o primeiro esse é um tema estressante para mim. Consegui amamentar meu filho graças a ajuda preciosa que recebi do Instituto Fernandes Filgueiras (RJ) que também é banco de leite. Achei o trabalho deles fantástico, de primeira em tudo, no entanto muito pouco divulgado. Espero não passar tanta dificuldade nesse segundo filho, mas pelo menos agora já tenho mais informação sobre o assunto do que tinha há 5 anos. Beijo e parabéns pelo trabalho!

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