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Atividade física para ficar mais inteligente!

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O crescimento do número de pessoas com desordens cognitivas está evidenciando o papel central do cérebro em nossa vida cotidiana. Com as crescentes demandas por desempenho cada vez mais altos, as escolas tem sido massivamente impactadas por propostas com promessas de melhora cognitiva. Crianças são submetidas a pressão em testes e seleções escolares que antes só se via em universidades.
Dados indicam que um entre cinco estudantes tem prescrição de medicações para melhora cognitiva; geralmente prescritas para condições como TDAH (trastorno de déficit de Atenção e Hiperatividade).
Você viu nosso post: O excesso de diagnóstico de Hiperatividade em nossas crianças ?
Estudos recentes mostram que uma das características mais notáveis dos cérebro é sua plasticidade. Isto é, ele tem capacidade de se auto-organizar e criar novos neurônios e novas ligações neuronais (sinapses) ao longo da vida. No adulto, essa característica é muito mais localizada e genéticamente determinada do que se imagina, por isso deve ser considerada com muita cautela. Mas fato é que a plasticidade do cérebro é significativa e tem potencial de mediar importantes mudanças cognitivas, principalmente em crianças, cujos sistemas nervosos são altamente maleáveis. 
A infância é o período ideal para implementar intervenções comportamentais objetivando a melhora cognitiva, porque a plasticidade neuronal nesta fase é a regra, não a exceção.
Isso  assegura que a intervenção comportamental terá mais respostas na melhora cognitiva, permitindo identificar e tratar as limitações antes que se traduzam em dificuldades maiores.
Até o momento, um dos modos mais efetivos de ativar a geração de novos neurônios parece ser a atividade física. Além dos benefícios gerais para a saúde (como melhora da capacidade de metabolizar glicose, melhora da capacidade de oxigenação, melhora da imunidade…), o exercício físico confere benefícios psicológicos.
Evidências sugerem que o exercício aeróbico – em intensidade moderada por 20 min consecutivos – é o o mais efetivo gatilho para liberação do do Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro, que  tem papel na  função cerebral (desde a formação e maturação e restauração de neurônios e sinapses a sobrevivência de neurônios e células tronco, resistência contra danos cerebrais, prevenção de degeneração neuronal e função geral de neuroproteção).
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Então, é de se pensar que se os níveis de Fator Neurotrófico Derivado do Cérebro puderem ser elevados, isso se traduziria em melhora da função cognitiva em indivíduos normais. Mas é importante notar que se os neurônios recém formados não estiverem integrados a uma rede neuronal existente, eles morrerão dentro de algumas semanas. Uma das melhores formas de integrar esses novos neurônios e aumentar suas chances de sobrevivência é desafiando o cérebro e forçar uma adaptação neuronal.  Aprender uma nova habilidade e adquirir novos conhecimentos parecem ser especialmente promissores neste sentido.
Baseado na idéia de que a função cerebral grandemente se beneficia da atividade física e que estimulações cognitivas desafiadoras reforçam e mantém esses benefício por mais tempo, pesquisadores propuseram que conectar demandas físicas e cognitivas poderia ser especialmente interessantes como gatilho de melhora cognitiva. Nos programas de treinamento geralmente essas demandas sempre foram acessadas separadamente.
Mesclar demandas físicas e cognitivas resulta em um desafio fisiológico interessante: como diferentes órgãos do corpo competem por recursos (Exemplo: suprimento de oxigênio, nutrientes…), o cérebro é forçado a trabalhar mais eficientemente, processando informações melhor e mais rápido com menos combustível. Assim que o exercício físico é suspenso, os músculos requerem menos energia, permitindo o cérebro a retomar sua poisção como o mais poderoso e faminto órgão do corpo.
Do ponto de vista de interveções cognitivas significa que a dificuldade pode ser aumentada conforme se aumenta o demanda física e mantém a demanda das tarefas cognitivas constantes.  Isso permite um grau adicional de liberdade no design do programa de treinamento de adaptação e força o cérebro a fazer mais com menos.

Por que optar por treinamentos cognitivos que incluam a atividade motora?

Hoje há várias propostas de treinamento cerebral com programas no computador, aplicativos… mas aliar atividade física parece a saída ideal.
As crianças têm uma necessidade fisiológica de queimar energia e movimentar-se. Especialmente as crianças com TDHA, que tem falta de habilidade em controlar adequadamente seus impulsos. Mas isso pode ser gereneralizado para a infância como um todo. Inibir este comportamento é difícil, requer controle cognitivo sustentado e envolve áreas do cortex cerebral que só estarão maduras nos anos finais da adolescência.
Evidências recentes sugerem que a atividade motora pode ser um mecanismo compensatório que facilita a função cognitiva. 
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Principalmente para as crianças com dificuldade de aprendizagem, a integração de componentes físicos e cognitivos pode ser particularmente adequado em ajudar a manter a motivação para as tarefas e engajamento nas atividades. Isso porque uma desordem cognitiva específica raramente vai impactar em todas as funções cognitivas. Se a habilidade verbal é limitante na performance de um indivíduo, talvez os componentes motores não sejam. Toda criança vai  experimentar áreas de dificuldades e facilidades e todas tem a chance de brilhar enquanto são lembradas de que o trabalho bem feito é recompensado. 
Um estudo recente (Moreau et al. 2015) testou o príncipio de que as melhoras cognitivas, apesar de geralmente serem substanciais após exercícios aeróbicos, poderiam ser maximizadas com adição de desafios com componentes cognitivos e comprovou a melhora da capacidade da memória de trabalho e de habilidades espaciais.
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Estudos ainda irão identificar quais componentes específicos são absolutamente necessários nos regimes de treinamento e quais devem ser adaptados para cada indivíduo. O campo do treinamento cognitivo ainda está engatinhando e as consequencias  de intervenções combinadas ainda não foram completamente entendidas.

Qual a importância disso para a educação de nossos filhos?

De forma geral,  devemos nos manter céticos quanto a promessas de  efeitos rápidos e grandes na melhora da cognição.  Quais são as evidências que justificam as mudanças? Por exemplo: há discussões calorosas sobre notas decepcionantes e baixo desempenho global em algumas escolas que levaram a algumas respostas: incluindo cortar a educação física dos currículos escolares. Algo completamente contraproducente. Na verdade, mais tempo teria que ser dedicado a estas atividades que incentivam o desenvolvimento de comportamentos motores complexos em ambientes desafiadores. No que diz respeito, a adição de componentes motores passivos ou ativos (ex: observação, gestos) dentro de situações do ensino tradicional na sala de aula é geralmente benéfica e pode ajudar na compreensão de conceitos e conteúdo. Isso requer um grande esforço por parte do professor, mas é muito recompensador mudar do foco tradicional em quantidade de atividade física para a ênfase em comportamentos baseados no movimento.
Brincadeiras estruturadas que combinam desafios motores e cognitivos devem ser encorajados, já que permitem a criação de situações  que têm o potencial para desencadear melhora cognitiva importante e intransferível. O modelo específico desta combinação, seja através de artes marciais, jogos de atividades físicas ou esportes estruturados vai ser determinado conforme o objetivo da intervenção, a infraesturtura  disponível e adequação do profissional de educação física. 
Usa atividades motoras complexas, que combinem demandas cognitivas e físicas,  é uma direção promissora no campo do treinamento cognitivo. Além dos benefícios cognitivos, podem induzir, quando estruturados adequadamente, melhoras fisiológicas (como na pressão arterial e na frequencia cardíaca, por ex.) e psicológicas.
As atividades motoras complexas têm vantagens importantes quando comparadas com os regimes de treinamentos de melhora cognitiva computadorizados. O objetivo é também integrar atividade motora de forma duradoura na comunidade, assim os hábitos formados nas escolas podem levar a mudanças em longo prazo na saúde física e cognitiva. 

 

Ref: Brains and Brawn: Complex Motor Activities to Maximize Cognitive Enhancement. David Moreau – Educ Psychol Rev (2015) 27:475–482.

dra Carla Torres

Carla Torres

Médica (Universidade Federal Fluminense – 2004) e mãe. Atua nas duas funções em tempo quase integral e é apaixonada pelo que faz.

2 respostas para “Atividade física para ficar mais inteligente!”

  1. Gregory Matos disse:

    Parabéns pelo conteúdo, gostei demais do seu site

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