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Depressão pós-parto – Um relato real

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Depressão pós parto é comum, infelizmente. Uma leitora dividiu conosco sua experiência e mostrou que com tratamento correto há cura.

A sensação era de desespero… O único momento no qual já havia sofrido dessa forma foi no falecimento da minha mãe. Era como se ela morresse todos os dias…Somente três meses após o nascimento da minha bebê, eu dei à luz.

Esse trecho chamou sua atenção? Leia o relato tocante de uma mãe que teve depressão pós parto. Há tratamento, há esperança!

A gravidez, uma brisa suave…

depressão pós-parto

Sempre fui uma mulher feliz, satisfeita com o trabalho, casamento e tive minha filha na hora em que eu me senti preparada. A gravidez foi ótima, sem enjôos, nada. Sentia que estar grávida era a melhor coisa que eu poderia viver. Nenhuma alegria se comparava à essa. Me sentia iluminada, nas nuvens…

O pós-parto, a tempestade

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Quando ela nasceu, tudo mudou. Toda mulher sabe o furacão que toma conta de nossas vidas com o nascimento de um filho. No meu caso, dificuldade para amamentar, dor, medos e inseguranças. Mas tudo bem, lia no babycenter que era normal sentir isso até 30 dias após o parto. Ok, baby blue.

Aos 45 dias da minha bebê, só me sentia pior. Muita ansiedade, impaciência, angústia com os choros intermináveis… Medo, muito medo. Faziam me sentir uma mãe falha, impotente. Parecia que havia uma nuvem negra sobre a minha cabeça, uma tempestade que não me deixava ver além, e só me permitia enxergar um futuro sombrio.

Ver o carinho de outras pessoas com ela me fazia sentir ainda pior, pensava que eu era a única mãe a sentir algo tão condenável. Sentia culpa por não ser capaz de valorizar aquele bebezinho saudável, puro, que Deus mandou para mim. A única tarefa que eu realizava com tranquilidade era a amamentação, que a essa altura já estava mais fácil. Que satisfação eu tinha… Mas o meu coração não estava nada tranquilo…

Algumas semanas depois, li de novo no babycenter: após 30 dias do parto, se ainda sentir tristeza, sensação de impotência, você pode ter depressão pós-parto. Meu marido e eu rejeitávamos a ideia, claro. Até que numa noite tive uma crise de pânico. Acordei no meio da madrugada com coração acelerado, medo, angústia, e não conseguia dormir de jeito nenhum.

A sensação era de desespero… O único momento no qual já havia sofrido dessa forma foi no falecimento da minha mãe alguns anos antes. E era como se ela morresse todos os dias, tamanho sofrimento que eu vivia. Então não tivemos dúvidas, eu precisava ir ao psiquiatra.

Na consulta, o diagnóstico foi imediato: eu tinha depressão pós-parto, precisava tomar antidepressivos e parar de amamentar, porque os medicamentos passavam pelo leite. Não aceitava, como parar a única coisa que eu fazia direito? Posterguei o tratamento por 15 dias, até minha filha fazer 2 meses e 15 dias.

Mas o sofrimento diário, a angústia, a palpitação, a sensação da falta de vínculo com a minha filha ficaram insuportáveis, e aceitei começar o tratamento, com terapia e medicamento. Nessa única noite, vivi o luto da interrupção da amamentação, e chorei, chorei… Sem pena de mim mesma, não havia espaço para lamentar que eu ia abandonar algo pelo qual batalhei tanto. Estava decidido, amanhã já começo a mamadeira.

Depois da tempestade, vem a bonança…

Fiquei 15 dias com leite, apesar do remédio para secá-lo e da aplicação de gelo. Ordenha manual 2x/dia para o leite não empedrar e não estimular mais produção de leite. Paralelo ao tratamento médico comecei a fazer um tratamento espiritual.

Uma onda de angústia me invadia o coração a todo instante, e nesses momentos eu elevava meu pensamento à Deus, pedia ajuda, e ocupava meus pensamentos com duas frases que minha mãe sempre repetiu pra mim: “Minha filha, segura na mão de Deus e vai!” e “O Senhor é meu pastor e nada me faltará”. Impressionante como mãe é um ser absoluto na nossa vida… Mesmo apenas em lembrança ela me sustenta. Uma semana depois,  já me sentia melhor. Era como seu eu voltasse a ser eu mesma.

Os dias foram passando, e fui enxergando minha filha… Suas mãozinhas, sua boquinha, o sorriso banguela, o cabelo ralo… Pela primeira vez, senti o cheiro do pescocinho dela, a abracei com ternura, e dormi com ela na minha cama, nariz com nariz. Três meses após o nascimento da minha bebê, eu dei à luz. A partir daí, nosso vínculo só aumentou, e eu comecei a vivenciar a maternidade.

Nós sobrevivemos à nuvem negra da depressão. E essa tempestade passa, e incrivelmente, somos capazes de ser felizes de novo.

*O nome da autora do texto foi ocultado por pedido da mesma.

 

Luciana Novellino

Luciana Novellino

Médica, mãe de dois. Apaixonada pela família e buscando vivenciar a maternidade com alegria, mais leveza e menos cobrança.
Luciana Novellino

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2 respostas para “Depressão pós-parto – Um relato real”

  1. Sarah Rainer disse:

    Adorei o blog, meus parabens!!

  2. Suzana Lima disse:

    Olá meu nome é Suzana tive meu primeiro filho em dezembro de 2013, após o nascimento dele fiquei bem com muita alegria, quando ele ia fazer dois meses comecei a me sentir estranha o medo que não passava uma angustia a pressão arterial subia, e chorava muito fui no clinico e ele disse que eu estava com depressão pós parto mais não aceitei e continuei com minhas crises foi quando meu bebe estava com quaro meses os sintomas foram ficando mais fortes com pensamento de morte de machucar meu bebe ai acabei procurando um psiquiatra muito educado que já era acostumado a lhe dar com esses casos de pos parto comecei a fazer o tratamento e fui melhorando só que a medicação era cara acabei não dando continuidade e passei a tomar outro mais vir que não estava tendo resultado e fui empurrando com a barriga só que quando meu filho ia fazer três anos meu esposo disse que não dava mais para continuar culpei meu filho pela separação mais sei que no fundo ele não tem culpa de nada hoje mora eu e meu filho cuido dele faço comida do banho cuido muito bem dele só que as vezes sinto que não o amo e isso me dói muito fico oscilando de humor tenho muito pensamento negativo de desesperança retomei o tratamento tem um mês mais ainda não saíram totalmente os pensamentos negativos sinto uma indiferença emocional pelas pessoas amor carinho estou totalmente indiferente emocionalmente isso faz parte do processo o remédio vai fazer efeito pois esta muito sendo ainda só tenho um mês que comecei a medicação, pois tudo que quero é amar meu filho e viver bem com ele longe desses pensamentos ruins meu filho foi tão desejado eu almejei tanto por ele e ele veio cheio de saúde só nasceu um pouco com baixo peso pois ele não estava se desenvolvendo no meu útero minha pressão subiu no final da gestação por isso tive medo de morrer eu e ele e mexeu muito no meu emocional.

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