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Mel e o risco de botulismo – nada de mel na chupeta

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Quem já não ouviu a dica de adoçar o chazinho do bebê com mel ou passar mel na chupeta para deixar o neném quietinho? Esse agrado docinho pode esconder um perigo fatal. Nem vou entrar aqui no mérito que bebês não devem consumir açúcar, mas oferecer mel para bebês (principalmente com menos de 12 meses) aumenta o risco de uma infecção muito grave: o botulismo. Apesar de todas as características nutricionais do mel, bebês não devem consumir este alimento.

Em praticamente todas as publicações a respeito do botulismo infantil, o mel é destacado como fonte da infecção nos lactentes. Essas publicações são unânimes com relação ao risco do consumo de mel por crianças com menos de um ano de idade, e sua prevalência dentre os alimentos envolvidos . Um estudo brasileiro, que analisou 100 amostras de mel, encontrou colônias de Clostridium botulinum que produzem toxinas ativas em 7% das amostras de mel comercial.

Em praticamente todas as publicações a respeito do botulismo infantil, o mel é destacado como fonte da infecção nos lactentes.

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A doença

O botulismo é uma doença extremamente grave causada pelas toxinas produzidas pelas bactérias do gênero Clostridium, que provocam distúrbios digestivos e neurológicos no paciente. O quadro característico é paralisia de nervos cranianos que pode evoluir para insuficiência respiratória e morte.

Não se sabe ao certo qual a quantidade de toxina suficiente para produzir a doença ou levar à morte. O que se sabe é que a toxina botulínica é a mais potente das secreções bacterianas e, portanto, mesmo quantidades pequenas podem causar manifestações clínicas.

O quadro característico do botulismo é paralisia de nervos cranianos que pode evoluir para insuficiência respiratória e morte.

Por que ocorre em bebês?

 

Bebê

Bebês, pela imaturidade das defesas imunológicas, são mais suscetíveis à infecção.

Pela imaturidade das defesas imunológicas. As condições no intestino normal de um ser humano não são favoráveis à germinação dos esporos e ao crescimento desta bactéria, sendo frequentemente ingeridos e excretados pelos adultos. Mas nos bebês, a microflora normal do intestino ainda não está totalmente desenvolvida e não oferece resistência suficiente ao crescimento desta bactéria.

Você viu nossa série sobre imunidade?

Desvendando a imunidade de bebês e criançasimunidade - post 2  imunidade - post 3 - segredos

Como acontece a paralisia?

Depois de absorvidas pelo intestino, as toxinas atingem a circulação sanguínea e chegam às conexões de neurônios (sinapses) do sistema nervoso periférico. A toxina botulínica impede a liberação de uma substância que faz a transmissão do impulso nervoso para as fibras musculares (o neurotransmissor acetilcolina), produzindo uma paralisia flácida, que se inicia na cabeça, face e palato, estendendo-se ao tronco e membros.

 

Hoje, o botulismo é considerado uma doença de ocorrência relativamente rara graças ao desenvolvimento de novas técnicas de produção de alimentos que impedem o desenvolvimento do micro-organismo e, consequentemente, a produção das toxinas botulínicas nos alimentos. Mas mesmo assim, não devemos oferecer mel para bebês com menos de 12 meses.

 

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Referências

Esporos de Clostridium botulinum em mel comercializado no Estado de São Paulo e em outros Estados brasileiros.

Botulismo infantil e a importância do mel como fonte de infecção

 

Carla Torres

Médica (Universidade Federal Fluminense – 2004) e mãe. Atua nas duas funções em tempo quase integral e é apaixonada pelo que faz.

Uma resposta para “Mel e o risco de botulismo – nada de mel na chupeta”

  1. Daniela disse:

    Sempre bom ter um filho.

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