Filhinhos da Mamãe

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Os filhos crescem, o tempo não volta

Os filhos crescem

As mães com “mais anos de estrada” sempre falam: “Aproveite, curta cada momento com seus filhos porque o tempo passa rápido demais.” Nós, Luciana e Carla, autoras do Filhinhos da Mamãe,  e Karla, nossa amiga e colaboradora, também compartilhamos desse pensamento…

Há algo muito triste em ver os sapatinhos apertados dos meus filhos. Roupinhas que não cabem mais. São a prova de que meus bebês estão crescendo. Os filhos crescem, o tempo passa e não volta mais. Como eu não vi o tempo passar entre o sapato número 21 e o 22? Vendo fotos eu percebo: o cabelo cresceu, o rostinho mudou, novas expressões nos rostos deles surgiram. É tão injusto que um período tão precioso seja também tão cansativo. A gente tem que sobreviver à rotina exaustiva e acaba sem perceber certos momentos. Mãe devia ter uma fonte de energia à parte, para dar conta da rotina dos filhos pequenos, e ainda ter a sua própria energia pra curtir cada palavra nova aprendida, os gestos de carinho que vão surgindo. Mãe devia conseguir  armazenar o cheirinho do filho: quando acorda, quando chega da piscina, quando sai da festa. Mãe devia poder congelar o tempo: naquele instante que minha filha me disse “te amo, mamãe”, naquele outro que ela veio correndo pra mim quando cheguei em casa. Mas pensando bem, nós podemos tudo isso, porque na nossa memória guardamos tudo referente aos nossos filhos, desde aquele primeiro encontro após o parto, quando sentimos o cheiro dos nossos filhos pela primeira vez. Nossos filhos nascem de nós mas não saem nunca da gente. 

Luciana Novellino Pereira

 

O jeito que eles me olham quando os pego no fim do trabalho para levar para casa é algo que me enche de alegria. Quero guardar essa sensação para sempre. Nada me dá mais satisfação do que o ver o modo como aqueles olhinhos se comunicam, não precisam falar para transmitir amor e confiança em suas formas mais pura.
Meu filho ontem estava se sentindo mal, estava muito difícil de melhorar. Me afastei de todos e fiquei só com ele, abraçados como se fossemos um só. Rezei, implorei, me concentrei e ficamos lá e ele foi relaxando e foi melhorando… ele só confia em mim, assim como minha filha quando está doente. Me culpo por me envolver com tanta coisa enquanto eles crescem tão depressa. Amo ver aquela carinha expressiva dela me dizendo: “Nossa, mamãe. Você é tão esperta. Sabe tudo de intestino e estômago.” Ela adora quando explico sobre o corpo humano. Não sei se vou conseguir impressioná-la quando for mais velha… queria gravar para sempre esses momentos de encantamento.  Mas como o tempo é injusto. Passa tão rápido quando estamos com eles,  dá a impressão de passar tão devagar quando estamos longe aí nos tocamos que voou. Que eles crescreram… Como é difícil amar tanto assim e ser refém do tempo.
                                Carla Torres

 

 

Eu sempre penso nisso. Tem especialmente 3 coisas que me dão vontade de guardar numa caixinha. São cenas simples da vida de qualquer mãe,  mas que quando acontecem comigo eles passam em slow motion, o tempo para pra mim… São:
 
– o olhar sorridente do Lucas quando chama “mãe” e olho pra ele e digo “oi!”… E o resto ele só diz com os olhinhos… A gente se olha uns 30 segundos, as pessoas perguntam “O quê ele quer?” Eu, apenas eu, entendo tudo.  Naquele silêncio ele disse um baita “eu te amo”, ele falou com o coração.
 
– a sensação de tato das mãozinhas pequeninas e gordinhas do Pedro quando andamos de mãos dadas. Queria que minhas mãos tivessem memória… É a ternura com forma, é inexplicável.
 
–  a vozinha do Pedro de criancinha, que ainda troca o “r” pelo “L” às vezes, mas em palavras aplicadas em frases super elaboradas, como se fosse um jovenzinho…essa voz está prestes a mudar, e isso que mais me dói.
 
A dor faz parte da evolução deles e da nossa né? Dá orgulho, da alívio, mas dói muito lembrar…parece que a cada número de sapato que aumenta outra criança aparece, a antiga se vai pra sempre e passamos por um luto mesmo, silencioso e contido.
      Karla Lepetigaland
Luciana Novellino

Luciana Novellino

Médica, mãe de dois. Apaixonada pela família e buscando vivenciar a maternidade com alegria, mais leveza e menos cobrança.
Luciana Novellino

Uma resposta para “Os filhos crescem, o tempo não volta”

  1. Clara disse:

    A minha pequenininha fez um ano. Nao sinto exatamente saudade de quando ela era um bebezinho carequinha, sem cílios e de pouca sobrancelha, mas queria que o tempo passasse mais devagar. Ela ja esta quase andando sozinha e logo logo vai deixar de ser meu bebezao pra se tornar uma criança correndo livre por ai. Me consola saber que outros momentos maravilhosos sucederao os momentos perfeitos que nós temos juntas hoje. Mal posso esperar para buscá -la apos o trabalho e ela vir correndo em minha direção pra me abraçar, pra ela falar o quanto gosta de mim e entender o quanto eu a amo, mas espero que demore muito pra chegar o momento em que ela vai prefir a compania das amigas, arrumar um namorado e dormir na casa dele no fim de semana.

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