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Pediatra responde 7 dúvidas sobre UTI

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A UTI pediátrica sempre desperta diversos sentimentos nas pessoas, uma verdadeira montanha russa de emoções mesmo, como vimos no relato emocionante que uma mãe de UTI deu para o site. E não é à toa, afinal, está associada à uma condição de gravidade e possibilidade de morte iminente.

 
Compreender o que é e como funciona a UTI, a qualificação das pessoas que ali trabalham e os riscos associados certamente minimizaria essas angústias que os familiares passam. Mais confiança ainda teriam se soubessem como se sente o médico intensivista. Saber que a pessoa ali cuidando do seu filho realmente se importa traz um conforto imenso e tão necessário nesse momento único e tão delicado.
 
Por isso, convidamos uma Médica Pediatra Intensivista, Dra. Flavia Matos, para responder todas essas dúvidas comuns que as mães têm e contar como ela, pessoalmente, lida com esse trabalho tão desafiador.
 
“Acho que nenhuma outra especialidade me daria alegrias tão intensas, mas também não me traria tristezas tão profundas. Amo o que faço. Às vezes me sinto super-heroína, mas também sofro profundamente.”
  

 1.    Como é trabalhar na UTI pediátrica e conviver todos os dias com vitórias e derrotas?

 
Antigamente era razoável uma mulher parir 10 filhos e morrerem alguns, mas isso não é mais aceitável na nossa realidade (ainda bem)… ninguém está mais preparado para perder um filho e eu todo dia tenho que conviver com a dor de tantas famílias.
 
Outra coisa é que nossa sociedade está vivendo um período de intolerância muito grande e isso acaba vindo com muita força dos familiares submetidos ao stress, que acabam dirigindo esse sentimento à equipe que trabalha na UTI.
 
Acho que nenhuma outra especialidade me daria alegrias tão intensas, mas também não me traria tristezas tão profundas. Amo o que faço, às vezes me sinto super- heroína, mas também sofro.
 

 2.    O que é UTI (unidade de terapia intensiva)?

 
As instituições têm diferentes formas de organizar o serviço e podem criar denominações como UTI 1 / UTI 2, Unidade Intensiva / Unidade Semi-intensiva / Unidade Intermediária.
 
Os CTIs (centros de tratamento intensivo) ou UTIs (Unidades de Tratamento Intensivo) ou UPGs (Unidades de Pacientes Graves) possuem uma estrutura de pessoal e equipamentos maior do que em enfermarias e emergências que permitem o monitoramento constante dos pacientes.
 
Atualmente temos a Terapia intensiva Neonatal – que cuida dos bebês desde o nascimento até os 28 dias de vida (podendo este período ser estendido conforme evolução do bebê) e a Terapia Intensiva Pediátrica (que atende as crianças a partir dos 28 dias até a maioridade).
 

3.    Qual o perfil e qualificação dos profissionais que trabalham na UTI?

 
Para atuar na área o profissional médico deve cursar os seis anos de faculdade, seguidos de dois (agora três) anos de pediatria e em seguida dois anos de neonatologia ou terapia intensiva pediátrica. A divisão entre essas duas subespecialidades pediátricas é necessária por conta das peculiaridades inerentes as diferentes faixas etárias – com fisiologia, anatomia e tipos de doenças díspares.
 
Vale ressaltar que o trabalho nestas unidades é obrigatoriamente multiprofissional com especialistas de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, psicologia e odontologia , além de médicos de outras especialidades.
 
 

4.    O que leva uma criança a ser internada na UTI?

 
A principal indicação para que uma criança seja encaminhada para cuidados intensivos está relacionada a ela estar gravemente enferma, ou seja, correr risco de morte, mas também pode ser destinada àquelas que necessitam de observação mais rigorosa para sua recuperação – por que ali há toda uma estrutura de pessoal e equipamentos maior do que em enfermarias e emergências.
 
Como medicina não é matemática, nem sempre há total concordância dos profissionais entre quem deve ser encaminhado para cuidados intensivos ou não. Não haverá dúvidas da indicação se o paciente estiver muito mal, ou da contraindicação se estiver muito bem. Mas haverá um espectro de crianças em que a decisão dependerá do conhecimento técnico, mas também da prudência ou “sentimento” do profissional envolvido.
 
 Como medicina não é matemática, nem sempre há total concordância dos profissionais entre quem deve ser encaminhado para cuidados intensivos ou não.

5.    Quais os critérios para a criança receber alta da UTI?

 
Não há um período mínimo ou máximo de dias para permanência ou alta – a evolução da criança é avaliada a todo momento e qualquer previsão é geralmente uma estimativa. A alta do setor estará relacionada à resolução da situação ameaçadora da vida ou ao fim da necessidade de observação rigorosa – critérios que também caberão aos profissionais que estiveram atendendo o caso, geralmente decididos em conjunto por toda a equipe.
 

6.    É verdade que os bebês que ficam internados na UTI tem alto risco de voltar? Existe risco de contaminação com outras infecções na UTI?

 
Ter ficado internado previamente pode ser fator de risco para uma reinternação, tenta-se minimizar isso ao máximo, mas dependerá da causa que levou a criança a ser internada e de possíveis complicações.
 
Uma grande preocupação dos pais é quanto aos riscos do tratamento no CTI … Sim , infelizmente há riscos! Por isso, todo o tempo a equipe deve considerar a relação risco-benefício na tentativa de evitar dano e chegar ao melhor resultado possível.
 
As infecções hospitalares terapia intensiva são infelizmente um problema real em qualquer lugar do mundo. Devem ser adotadas todas as medidas para controla-las, mas são crianças enfermas, com comprometimento da sua imunidade, submetidas a dispositivos invasivos (sondas, cateteres, tubo) , muitas vezes sem se alimentar adequadamente e usando antibióticos potentes em um ambiente rico em bactérias – inúmeros riscos .
 

7.    Por que pegar o bebê no colo e receber visitas são restringidos na UTI?

Após o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) os menores de idades passaram a ter direito a serem acompanhados durante a internação e com isso ãs UTIS / CTIs / UPGs tiveram que se adaptar aos acompanhantes/ responsáveis, mas por razões de logística muitas precisam realizar ajustes / limitações que permitam o bom funcionamento do setor e evitem complicações como infecções.
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O autorização do contato físico como “pegar a criança no colo” dependerá das condições clínicas do paciente.
Infelizmente o paciente poderá estar instável e com dispositivos que tornam seu manuseio possível apenas pelo profissional treinado. Mas sempre que possível qualquer forma de carinho é estimulada , sendo terapêutica para o pequeno paciente e também para seus familiares.
 
 
 

Flávia Matos

Médica Intensivista Pediátrica (INCA e HEAPN), Mestre em Saúde da Criança pelo Instituto Fernandes Figueira / Fiocruz (RJ) e mãe apaixonada.

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