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Uma mãe, o autismo

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Recentemente atendi uma criança autista, com um problema específico da minha área. A consulta correu bem, só não foi possível fazer um exame porque a criança não permitiu. Mas isso acontece com crianças, tudo certo. Mas sua mãe ficou muito envergonhada, pedindo para que o filho deixasse fazer o exame. Eu disse “não se preocupe, a gente faz outra hora”. A expressão de decepção e constrangimento da mãe me tocou… Terminei a consulta, dizendo que eles deveriam retornar em 20 dias. A mãe sorriu, agradeceu, como que satisfeita por ter sido “convidada” a retornar à consulta. Enquanto eles saiam do consultório, eu observava a criança andando firme, enquanto sua mãe tentava alcança-lo, olhando para mim meio agradecida. Pensei muito naquela mulher, que certamente tinha batalhas diárias, e ainda assim se sentia constrangida perante os outros. Lembrei daquelas histórias compartilhadas nas redes sociais sobre crianças autistas que não eram convidadas para festas, e que de tão absurdamente cruéis, no fundo duvidava da veracidade delas. Mas depois de ter atendido essa mãe e seu filho, num bairro nobre do RJ, tive uma pequena noção da incompreensão que ela deve encontrar nos lugares que vai. Que sociedade é a nossa que faz uma mãe se sentir grata simplesmente por não ter sido hostilizada? Quantas lutas elas enfrentam todos os dias, dentro de casa e fora dela? Como cidadã, peço desculpas por toda indelicadeza que você e seu filho já tenham enfrentado.

Luciana Novellino

Luciana Novellino

Médica, mãe de dois. Apaixonada pela família e buscando vivenciar a maternidade com alegria, mais leveza e menos cobrança.
Luciana Novellino

2 respostas para “Uma mãe, o autismo”

  1. Nossa, fiquei com os olhos lacrimejando
    pois é, tantas e tantas mães devem viver essa triste realidade.

    Bjooos

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